Alicia Fernández


                               "Aprendizagem também é uma questão de gênero"

    A psicopedagoga argentina Alicia Fernández foi uma das precursoras da psicopedagogia no Brasil e é responsável pela formação de parte dos profissionais da área em nosso país. É autora de Os idiomas do Aprendente, O Saber em jogo, A Inteligência Aprisionada e A Mulher escondida na professora (todos pela Artmed) e de Psicopedagogia em Psicodrama – morando no Brincar (Editora Vozes). A especialista estará no Simpósio Internacional de Psicopedagogia - Instrumentos diagnósticos e intervenção: novas práticas psicopedagógicas, realizado pela ABPp, dias 5 e 6 de setembro em São Paulo, ministrando o curso Autorias Vocacionais. De Buenos Aires, onde é diretora da Escola Psicopedagógica de Buenos Aires, Alicia concedeu esta entrevista à Direcional Educador, onde analisa questões que envolvem os problemas de aprendizagem.

http://www.direcionaleducador.com.br/artigos/entrevista-alicia-fernandez 



Os Idiomas do Aprendente 

      Em seu livro “Os idiomas do aprendente” Alicia Fernandez aborda o papel do inconsciente na aprendizagem: Não cabe ao psicopedagogo buscar culpados, mas sim investigar causas, fraturas e , acima de tudo, apontar caminhos, novas estratégias de ensinar e aprender. Estes caminhos devem fugir de paradigmas, permitir o novo, o criativo, o lúdico. Somos todos essencialmente humanos. Todos tem um potencial e uma modalidade particular de aprender, permeada por subjetividades, vivências, desejos. Pode-se dizer que o diferencial da psicopedagogia é que ela não se preocupa com conteúdos aprendidos ou não, mas sim como se posicionam os ensinantes e aprendentes e procura como se dá a relação com o conhecer e o saber.
      Para Alicia Fernández a intervenção psicopedagógica não se dirige ao sintoma, mas o poder para mobilizar a modalidade de aprendizagem, o sintoma cristaliza a modalidade de aprendizagem em um determinado momento, e é a partir daí que vai transformando o processo ensino aprendizagem.

Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado 
http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/55506/alicia-fernandez-e-a-psicopedagogia#ixzz3JzeG391q


" Não é permitido ao professor, por exemplo, agir com ternura, criatividade e sensibilidade." (Alicia Fernández)

Um comentário:

  1. O maior problema é a busca pelos culpados do fracasso escolar e a partir daí, percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança, ora a família, ora uma determinada classe social, ora todo um sistema econômico, político e social.
    Alicia lembra que “a culpa, o considerar-se culpado, em geral, está no nível imaginário”; e coloca que o contrário da culpa é a responsabilidade. Para ser responsável por seus atos, é necessário poder sair do lugar da culpa. A autora nos mostra que existe e não existe um culpado para a não aprendizagem. Se a aprendizagem acontece em um vínculo, se ela é um processo que ocorre entre subjetividades, nunca uma única pessoa pode ser culpada. O fracasso escolar deve ser sempre um enigma a ser decifrado que não deve ser calado e deve ser escutado.
    “A problemática da aprendizagem é uma realidade alienante e imobilizadora que pode apresentar-se tanto individual quanto coletivamente. Em sua produção, intervém fatores que dizem respeito ao socioeconômico, ao educacional, ao emocional, ao intelectual, ao orgânico e ao corporal. Portanto, para sua terapêutica e prevenção, impõe-se o encontro entre diferentes áreas de especialização: psicopedagogia, psicologia, psicanálise, pedagogia, pediatria, sociologia, etc.” (FERNANDEZ, P. 26. 2001)
    Conforme a autora “a liberação da inteligência aprisionada só poderá dar-se através do encontro com o prazer de aprender que foi perdido”, ou seja, o aluno só conseguirá retomar para si a importância da aprendizagem, quando voltar a acreditar em si mesmo e perceber que há pessoas que acreditam nele, sem preconceitos.
    Fernandez em seu texto nos diz que, um fracasso escolar pode diferenciar-se de um problema de aprendizagem, analisando a modalidade de aprendizagem do aprendente em sua relação com a modalidade ensinante da escola.
    Nas situações de fracasso escolar, a modalidade de aprendizagem do sujeito não se torna patológica, quando se constitui um problema de aprendizagem a modalidade de aprendizagem é alterada.
    “Assim, muitas crianças são submetidas a métodos reeducativos que tentam uma "ortopedia mental" como se fosse possível colocar "próteses cognitivas" (FERNADEZ. P.38. 2001)
    A autora conclui que a escuta não se dirige aos conteúdos não-aprendidos, nem aos aprendidos, nem às operações cognitivas não-logradas ou logradas, nem aos condicionantes orgânicos, nem aos inconscientes, mas às articulações entre essas diferentes instâncias. Não se situa no aluno, nem no professor, nem na sociedade, nem nos meios de comunicação como ensinantes, mas nas múltiplas relações entre eles.

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